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Venture builder: por que o fundador sozinho não fecha o ciclo

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Venture builder é um termo que aparece muito em evento de startup e pouca gente sabe explicar o que acontece lá dentro. Eu tive que explicar isso numa conversa recente com uma profissional de comunicação.

Ela vinha de publicidade e marketing. Conhecia bem o mundo de agência. O que estava em jogo era ela entender onde a experiência dela encaixava numa operação que cria empresa do zero. Então eu abri a casa por dentro.

O que é um venture builder

Comecei pelo nome, porque quase ninguém sabe o que ele quer dizer. Eu disse para ela: “Venture em inglês é capital, é risco, aventura. Por que que chama venture? Porque o mercado de startup é um mercado de inovação. Startup é uma empresa que tá começando e que tem alto potencial de escala. E escala é escala mesmo. Então venture é startup e builder é construtora, é construção. A gente é uma construtora de startups.”

Aí emendei a parte da estratégia, que é a que mais estranha quem vem de agência: “Como uma venture builder, o meu objetivo é fabricar startups. Se eu investir em plantar vários produtos inovadores, o meu objetivo é que, se uma parte deles der certo, eu chego e pleiteio uma participação. A minha visão é totalmente diferente de negócio.”

E completei: “O meu negócio é risco, é inovação, e é assim: ‘Ah, tenho uma ideia, vamos fazer junto. Se eu gostar da tua ideia, a gente pode ser sócio.’ Significa que todas vão dar certo? Não. Mas se eu tiver muitas participações, poucas derem certo e essas empresas valerem muito, a gente tá feito. Essa é minha estratégia de negócio.”

Quem vem de agência está acostumado a contrato mensal. Esse é o choque. Na mesma conversa, falei: “Eu não quero prestar serviço só por um contrato, uma remuneração mensal. Eu quero estar em projetos inovadores com parceiros em potencial.”

Quando um projeto que a gente fez fica bom, a pergunta que eu levo é sempre a mesma. Contei para ela: “E aí, vamos vender para outras empresas no Brasil inteiro e transformar numa startup? Então nossa provocação é sempre essa.”

Os quatro departamentos e por quê

Depois do nome, fui para a estrutura. Foi aí que ela começou a ligar tudo com o que já conhecia.

Expliquei assim: “A gente tem quatro departamentos. Eu tenho um departamento de tecnologia que desenvolve aplicativos, software. Faz toda a parte ali de programação. Eu tenho o time de inteligência artificial e automação, que é o time que cria assistentes de IA. Sabe aqueles assistentes que ficam conversando no WhatsApp?”

Na mesma conversa, emendei: “Hoje é possível fazer pré-venda com IA, treinar uma IA com o que que ela vai responder, a humanização, se ela vai ser simpática, se ela não vai, e tá sendo num altíssimo nível. Não faz sentido deixar um humano mais fazendo uma pré-venda. Então o nosso time de IA cuida disso.”

Quem olha de fora acha simples. Eu disse: “É fácil de falar, mas é complexo de fazer.”

O mesmo time pega uma coisa que todo mundo de marketing conhece. Perguntei: “Lembra que a gente fazia automações de marketing de funil? ‘Ah, o lead caiu, ele recebe um e-mail, ele vai pro CRM, ele recebe um WhatsApp.’ O time nosso de IA e automação faz isso aqui também.”

Publicidade e marketing em times separados

Os outros dois departamentos eram justamente a área dela. E foram os que mais mudaram aqui dentro. Eu contei: “A gente tinha um time só de marketing e o time de marketing fazia tudo. Ele fazia marca, ele fazia tudo. Aí eu falei: ‘Eu vou fazer um time de publicidade e vou fazer um time de marketing.’ Publicidade cuida de marca, de posicionamento.”

Continuei: “E o time de marketing cuida de performance, de campanha, de rede social, do que gera resultado. Então, completando os quatro departamentos: tecnologia, inteligência artificial, publicidade e marketing. Cada um tem um head. E esse head cuida de um time.”

E deixei claro que nada disso é fixo: “A gente é uma startup, bem como a gente constrói startup. E eu permito a gente mudar de estrutura e de estratégia a qualquer momento, sem problema nenhum.”

Emendei: “Por que o profissional ficou desse jeito? Porque eu tenho IA para tudo. Eu não preciso ter um cara mais específico. A gente gosta aqui muito de generalistas. O cara que é do marketing digital consegue fazer anúncio, porque não precisa ser mais gestor de tráfego, é só saber subir campanha e ter noção também de desenvolver uma boa landing page.”

E fechei esse ponto: “O cara do tráfego pago só tava no anúncio, o cara da landing page só tava na copy, o designer só tava na arte. Hoje não cabe mais isso, não dá.” Já escrevi sobre esse dilema de contratar especialista ou automatizar com IA num time enxuto, e a conta mudou rápido.

Por que o fundador sozinho não fecha

A parte que amarra tudo é essa. O fundador com uma boa ideia normalmente tem uma peça. Às vezes tem a tecnologia, às vezes tem a marca. Raramente tem as quatro rodando juntas. Eu disse para ela: “Toda a base não vai precisar sair daqui para nada. A gente desenvolve o aplicativo, a gente faz o marketing, faz a marca.”

Continuei: “E aí, aonde que a gente entra com valor agregado? No interesse de fazer dar certo, de falar assim: ‘Cara, eu não acho que isso aí é legal não. Beleza, o dinheiro é teu, você quer tomar decisão, mas na nossa visão deveria ser assim.’ E aí, é claro, a gente atua, eu mentoro, direciono.”

Nem sempre a execução fica toda com a gente. Às vezes a empresa já tem gente boa dentro. Na mesma conversa, falei: “O meu objetivo muitas vezes é estratégico. Muitas vezes não é a gente que faz por aqui. Tem empresa até que tem time de marketing lá, eu direciono a estratégia e o cara faz lá.”

É assim que a gente trabalha quando um negócio precisa acelerar: olha as quatro áreas juntas e entra onde falta. Por isso eu tomo cuidado com o que recomendo. Expliquei: “Quando eu falo, eles me ouvem como um mentor. E é por isso que eu me preocupo muito em ter um embasamento, em ter uma estratégia muito válida, porque eu também tenho que ser coerente.”

Se você ainda está antes disso, com a ideia na mão, o guia para tirar sua ideia de startup do papel mostra o passo anterior. Amanhã, vale escrever as quatro áreas numa folha e pôr do lado de cada uma quem faz. Onde ficar em branco, a sua empresa ainda não fecha o ciclo.

Fechei a conversa do jeito que fecho com qualquer fundador: “Tudo que eu falo é baseado em dados, é baseado em estratégia, tem como medir. Eu nunca prometo nada para ninguém. Eu falo: vamos testar, vamos fazer o que tem que fazer e vamos ver o que que vai acontecer.”

Qual dessas quatro áreas está em branco no seu negócio hoje?

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