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Agentes de IA: o que automatizar primeiro e o que ainda é hype

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Todo mundo quer colocar agentes de IA para rodar sozinhos dentro da empresa. Eu acho que o começo é bem mais simples que isso. Foi o que eu falei em uma sessão de mentoria com a liderança de um grupo de negócios.

É gente que toca uma rotina pesada: relatório para mandar, prazo para cumprir, alguém responsável por cada entrega. Estavam desenhando processos novos com IA no meio. A dúvida da mesa era o que dava para entregar para um agente agora e o que ainda pede alguém decidindo.

Comecei pelo tempo que se perde. Eu disse para eles: “Eu tenho chamado ultimamente o pessoal de AI native. Não faz mais sentido vocês ficarem horas fazendo um relatório, sendo que a inteligência artificial faz em alguns minutos. E me desculpem, acho que vocês vão concordar comigo: muito melhor do que a gente faria em horas. Então tem coisa hoje que não faz sentido, não é verdade?”

Depois veio a diferença entre agente e chat. Expliquei assim: “O que um agente de IA tem diferente de uma ferramenta de chat? É que a ferramenta de chat é conversacional. É um chat literalmente.”

E segui: “Um agente de IA não, ele trabalha, ele constrói. É literalmente você tem um funcionário, você dá um trabalho para ele, ele volta com o trabalho pronto.”

O primeiro trabalho do agente de IA

Com essa ideia de funcionário na cabeça, fica mais fácil escolher por onde começar. Eu começaria pelo relatório que alguém precisa mandar toda semana, que já tem dono e já tem data.

Pedi para eles imaginarem: “Agora imagina ter um agente de IA gerenciando a operação de vocês, avisando, por exemplo: ‘Fulano, tinha um prazo para ontem que você esqueceu de entregar, revisa aqui para mim que é importante para empresa.'”

E completei o exemplo: “‘Fulano, tem um relatório que você precisava ter enviado. Já deixei preparado para você revisar. Revisa aqui. Posso enviar?’ Imagina um agente de IA trabalhando dessa maneira.”

Repara que o agente não manda nada sozinho. Ele deixa pronto e pergunta. Quem aperta o botão continua sendo a pessoa que já respondia por aquele relatório. Escrevi mais sobre esse jeito de montar time com gente e máquina junto em a evolução dos agentes de IA e as primeiras equipes digitais.

Por que ainda precisa de gente aprovando

O hype está justamente em pular essa etapa. Soltar o agente no meio da operação, mandando e-mail e mexendo em cadastro sem ninguém olhando. Na mesma conversa, emendei: “Mesmo que a inteligência artificial está nesse nível, entra o contraponto, ela não é perfeita, ela erra. Então tem aí uma parte de alucinação, de pegar alguma informação errada, um contexto errado.”

E completei: “Por isso que é fundamental um humano competente revisar absolutamente tudo que ela faz para poder refinar e dar esse toque humano de quem estava na reunião, de quem sabe que ela saiu de um assunto que não tinha nada a ver, porque ela pode errar.”

Na prática a revisão é rápida quando o material já chega pronto. A pessoa lê, ajusta uma coisa ou outra e aprova. Essa conta de quanto tempo sobra e o que muda no time eu discuti em contratação vs. automação com IA.

Informação centralizada e auditável

Teve um ponto que pesou mais do que eu esperava: onde fica o que o agente produz. Dei um exemplo meu: “Só para vocês entenderem como eu trabalho hoje: de manhã o meu time de marketing fez uma reunião e eu não participei. Se eu for no meu agente agora e perguntar o que aconteceu na reunião, eu vou saber. E eu não estava na reunião.”

Para quem ainda torce o nariz para IA, isso ajuda também. Comentei: “Um agente de IA ia meio que até forçar alguns profissionais que ainda não usam IA com frequência a ter acesso às informações, porque se tudo tiver centralizado, meio que não tem como ele não usar. Já está lá.”

Tem outro lado que pouca gente lembra quando pensa em agente. Eu disse: “Outra coisa que é fundamental é tudo ser auditável. Isso responde muita coisa dentro de uma empresa: ‘Ah, mas quem que fez isso aqui? Quem que processou essa informação?’ Tudo tem que ser auditado. Fulano entrou tal dia, processou tal informação tal hora, aconteceu isso.”

E já respondi a objeção que vinha: “‘Ai, mas precisa ser tão assim?’ A empresa já deveria ser assim. A gente é que não trabalha assim.”

Comece pela tarefa que já tem dono

Se eu estivesse no seu lugar amanhã, escolheria uma tarefa só, que já tem responsável e data. Monta o agente para deixar pronto e perguntar antes de enviar. Quando o negócio está nessa fase de arrumar a operação para crescer, é bem parecido com o que a gente faz quando um negócio precisa acelerar.

E se o processo ainda não está escrito, vale o que eu disse no fim: “Eu vou falar o que pode parecer óbvio: vocês podem usar a própria inteligência artificial para fazer isso. Abre uma conversa com ela, fala: ‘Olha, precisamos criar um processo operacional padrão, precisamos definir um processo de uso aqui nesse contexto’, e ela ajuda vocês a criarem um processo. Não esqueçam disso.”

Qual tarefa da sua semana já podia chegar pronta só para você aprovar?

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