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Conta de desenvolvedor de app: quem é dono dela é dono do aplicativo

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A conta de desenvolvedor de app é a primeira coisa que alguém cria antes de publicar um aplicativo, e quase ninguém para para pensar em quem fica com ela. Esse cuidado apareceu de novo em um treinamento interno, quando eu estava ensinando o time a abrir essas contas para um cliente. Comecei do básico:

“A gente vai aprender a criar contas de desenvolvedor. Conta de desenvolvedor é para publicar aplicativo Android e iOS. No Android a gente usa o Play Console para gerenciar os aplicativos na Play Store, e na Apple o Apple Developer Account para gerenciar lá na App Store, no iOS. No Android precisa de uma conta Google, na Apple precisa de uma conta Apple.”

O cliente tinha um aplicativo quase pronto para ir para as lojas, e a gente estava cuidando da publicação. O que estava em jogo era simples de explicar e fácil de errar: em nome de quem esse app ia existir.

Conta de desenvolvedor no nome do dono

Antes de abrir qualquer tela, falei da regra que mais importa. Eu disse para o time:

“Eu vou logar com a conta Gmail que eu pedi para o cliente criar. Sempre criem as contas nos e-mails de propriedade dos clientes.”

E fiz questão de dizer o contrário também:

“Eu acho que é legal deixar uma negativa também. Nunca criem conta de desenvolvedor para o cliente nos nossos e-mails. Porque o aplicativo não é nosso, a conta não é nossa.”

Para ficar claro, usei uma comparação de obra: “Você é uma construtora e aí você vai construir a casa do cliente em um terreno da tua construtora, sem construir a casa do cliente no terreno do cliente.”

Muita agência e muito desenvolvedor freelancer abre a conta no próprio e-mail porque é mais rápido. Funciona até o dia em que o dono do negócio quer trocar de fornecedor, vender a empresa ou só entrar no painel e ver os números do próprio app. Aí ele descobre que o aplicativo mora no terreno de outra pessoa.

O que cada loja pede

O resto do treinamento foi mão na massa. Avisei:

“Eu vou fazer com vocês como se eu estivesse ensinando uma criança. Você vem aqui, ative a verificação em duas etapas. Ele vai pedir para ativar. Aí a gente volta, atualiza e confere que está no e-mail correto.”

Logo depois, segui:

“Para começar, escolha um tipo de conta, uma empresa ou uma corporação. Primeiro, informe o nome do desenvolvedor. Esse é o nome que aparece lá na loja. Tem que tomar bastante cuidado.”

Esse nome é a vitrine. Se sai com o nome de quem programou, o cliente aparece na loja como se o produto fosse de outro.

Depois veio a parte que mudou de uns tempos para cá: “Agora é obrigatório também um número de identificação, tanto para Apple quanto para Android. Antes não era obrigatório no Android.”

Na mesma explicação, emendei: “Esse número é um CNPJ internacional. Pensa assim. É um número único que identifica a empresa exclusivamente. E ele é gratuito. Com esse número, a gente consegue se inscrever tanto na Play Store quanto na App Store. Aí, nesse momento, ele vai pedir o pagamento, que deve ser feito com um cartão internacional.”

Dados oficiais, sempre do cliente

Aqui entra o motivo pelo qual eu prefiro que o próprio dono faça o cadastro. Perguntei para o time:

“Os dados têm que ser sempre oficiais. Será que a data de nascimento é um dado importante? Por isso que o mais ideal é o cliente fazer. Só em casos esporádicos a gente vai puxar para fazer. Na maioria das vezes a gente manda um vídeo, alguma coisa, e o cliente faz por lá.”

Naquele dia a gente estava fazendo junto, então fui narrando campo por campo:

“Eu estou criando com os dados do cliente. Sempre os dados reais do cliente, sócio do CNPJ que a gente vai usar. O legal entity name é a razão social. Street address é o endereço da empresa. Cuidado que não aceita caractere especial, acabei de ver. Número de telefone: põe sempre o do cliente. Lembre que vai pedir código toda hora.”

Teve um campo em que eu mesmo hesitei, em voz alta, na frente de todo mundo: “E esse contact info aqui? Eu acho que pode ser o nosso, porque eles podem ligar. Ou eu ponho do usuário? Eu acho que eu vou botar do cliente.”

Essa dúvida é a mais comum. Parece prático deixar o contato de quem desenvolve, e é por esses atalhos pequenos que o app vai escorregando para fora das mãos do dono. No e-mail de trabalho também ficou o dele.

Antes de submeter o app

O último passo deixa a regra ainda mais visível. Expliquei:

“Em breve você vai receber um e-mail com o número. E aí é só a gente acompanhar o e-mail aqui do cliente. Vai chegar o número aqui e aí a gente volta e continua a criação da conta. Ele vai pedir o número tanto aqui quanto lá.”

Na mesma conversa, emendei:

“E aí eu já combino com o cliente para a gente pegar o cartão, para ele ficar disponível ali na hora, porque a gente já vai passar o cartão e pagar o valor anual para Google e para Apple.”

Repara que até o número chega no e-mail do cliente. Se a conta estivesse no nosso, ele dependeria da gente para cada passo. Quem está na fase de validar o aplicativo antes de gastar mais em código costuma deixar isso para depois, e desfazer mais tarde leva tempo.

A gente segue esse mesmo cuidado em o que a gente faz quando alguém precisa tirar um produto do papel, desde a primeira conta aberta.

Fechei o treinamento assim:

“Então a gente aprendeu a criar uma conta Apple, a solicitar o número de identificação e a configurar os primeiros passos para a criação da conta, tanto de developer do Google quanto de developer da Apple. Esse é o primeiro caminho para a gente submeter aplicativos para as lojas de aplicativo Android e iOS.”

Se o seu app já está nas lojas, entra amanhã nas duas contas e olha em qual e-mail elas foram abertas. Está no seu?

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