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Programa de afiliados: as regras vêm antes da tecnologia

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Programa de afiliados costuma ser tratado como coisa de link rastreado e painel bonito. Só que ele funciona quando o dono do negócio controla quem divulga e o que cada divulgador vende. Eu vi isso de perto em uma reunião de briefing com o meu time.

A gente ia montar uma plataforma para restaurantes. O dono cadastra o cardápio, influenciadores geram links de pratos ou do restaurante inteiro, e o pedido cai no sistema que ele já usa. O que estava em jogo era a primeira versão, e eu queria o time pensando nas regras antes de pensar em código.

Quem divulga é decisão do dono

Comecei pela base. Eu disse para o time: “O produto é uma plataforma de afiliados para negócios, aonde os negócios vão poder se cadastrar para poder divulgar o seu catálogo para influenciadores, afiliados que vão gerar links ou do negócio ou de produtos.”

Na mesma fala, deixei a regra principal: “E o negócio escolhe se ele quer selecionar os afiliados ou se ele deixa aberto, igual é no mercado de afiliado normal.”

Essa escolha muda o produto inteiro. Tem restaurante que se preocupa com a marca e quer saber quem está falando do prato dele. Tem outro que quer volume e abre a porta. A plataforma precisa aceitar os dois.

Depois expliquei o caminho do pedido: “Esse afiliado gera o link e o link, seja do negócio ou seja do produto, vai gerar um pedido através do catálogo que vai ser importado. A gente importa o catálogo do sistema que o cliente já usa, faz um catálogo dentro da plataforma, a pessoa escolhe e na hora de finalizar o pedido, o pedido vai lá para o sistema.”

Comissão só com pedido confirmado

Aqui estava o ponto que mais me importava. Se o afiliado ganha em pedido que nunca aconteceu, o dono desiste do programa rápido.

Eu disse: “Se esse pedido for cancelado, tem que voltar do sistema para cá para dar cancelado para não gerar comissão. Se o pedido foi confirmado, também vem o sinal: ‘pedido confirmado, aplica a comissão’. Então o negócio vai pagar uma comissão, sendo uma parte para o influenciador e uma parte de taxa da gestão disso.”

Tinha um assunto que eu ainda não tinha resolvido, e falei abertamente: “E tem que ter a parte de frete. Essa é uma das coisas que está me preocupando. Em algum lugar, em algum momento, a gente teria que trazer esse custo logístico do sistema para poder somar o valor de pagamento final.”

Completei: “Não tem como deixar o pedido, a não ser que a gente insira um pedido e depois o negócio entre em contato para falar da entrega, o que não seria legal, mas vamos investigar.”

Dúvida aberta assim é normal em uma primeira versão. Eu prefiro deixar a data do lançamento decidir o que entra no MVP do que travar tudo esperando a resposta perfeita.

O painel de cada lado do programa de afiliados

Com as regras no lugar, fui para as telas. Eu disse: “O influenciador tem que ter um painel, um escritório virtual, podemos até chamar assim. Eu acho que é cara de startup. É onde ele vai ver quantos links ele tem, quantos negócios ele está divulgando, quanto que ele já ganhou, quantos pedidos feitos. Poder solicitar saque.”

E fiz o time pensar no motivo de cada lado estar ali. Perguntei: “O mais interessante ali que você tem que focar, eu vou te puxar: por que o negócio vai usar a plataforma? Então, que informação que você vai botar de cara no escritório virtual do negócio? Quantidade de conversão e valor que ele vendeu usando a plataforma. Isso é que ele quer saber ali.”

Do outro lado, a mesma lógica: “Da mesma maneira, o afiliado vai usar a plataforma por quê? Então, qual que é a métrica maior que vai ter lá no painel dele? Quanto que ele ganhou. E o botão para sacar, porque ele quer ganhar dinheiro, ele quer sacar.”

Insisti no saque: “Tem que desburocratizar esse saque, tem que deixar claro que o saque é simples. Então, deixa tudo bem simples, explica: ‘olha, o saque acontece assim, você vai receber em tantos dias’. Deixa bem explicadinho na tela de saque.”

Quem divulga precisa confiar no pagamento. É a mesma coisa que eu vejo em programa de indicação, onde o boca a boca só vende com processo.

Controle primeiro, tecnologia por último

Também pedi as telas de quem opera a plataforma. Perguntei: “Pensa aí comigo: aonde ele vai aprovar os negócios cadastrados e os afiliados cadastrados? Vai ter que ter umas telinhas de admin que vão fazer toda a função. Exclui negócio, desativa negócio, edita informação de negócio, aprova, desabilita.”

E expliquei o porquê: “Vai ter que ter uma para ele não ter que ficar chamando a gente toda hora para ficar mexendo no banco de dados, entendeu?”

Só no fim falei de tecnologia. Eu disse: “A minha visão, pessoal, eu acho que isso pode ser feito pelo nosso time de IA, porque eu acho que dá para receber os eventos da API do sistema e com uma ferramenta de automação salvar no banco de dados e vice-versa.”

Na mesma conversa, emendei: “Eu acho que o nosso programador pode criar os requisitos, o esquema, não necessariamente programar, e instruir o nosso time a implementar. Por que isso? Se dá para fazer programando, eu acho que custa muito menos fazer com automação no MVP do que programar, mas convido vocês a pensarem para a gente entender.”

Se você está desenhando um programa de afiliados, comece pelo papel: quem pode divulgar, quando a comissão vale e como o afiliado recebe. A ferramenta vem depois, e muitas vezes uma automação bem montada segura a primeira versão. É isso que eu trabalho com fundadores em o que a gente faz quando um negócio está saindo do papel.

No seu negócio, hoje, quem decide quem divulga o que você vende?

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